HISTÓRIAS PARA MUDAR O MUNDO

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20/06/2014 · 6:25 PM

ASSESSORIA À DISTÂNCIA PARA CONTADORES DE HISTÓRIAS

ASSESSORIA CONTADORES HISTÓRIAS

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06/05/2014 · 9:47 AM

DIA INTERNACIONAL DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

CONTADOR DE HISTÓRIAS

 

 

O Dia Internacional do Contador de Histórias é comemorado em 20 de março, principalmente na Europa. É uma data de celebração mundial e coincide com o início da primavera no hemisfério norte, e do outono no hemisfério sul.

As raízes do evento iniciaram em 1991, na Suécia, e chamava-se “Dia de Todos os Contadores de Histórias”. O evento prosseguiu em 1992, mas após isso foi perdendo força. Em 1997, contadores de histórias em Perth, Austrália Ocidental coordenaram uma celebração durante uma semana, comemorando 20 de março como o Dia Internacional de Narradores Orais. Ao mesmo tempo, no México e outros países da América do Sul, 20 de março foi celebrado como o Dia Nacional de Narradores.

A de 2001, a rede escandinava de contadores de histórias deu um novo impulso ao 20 de março, e a partir do ano seguinte, o evento espalhou-se da Suécia para a Noruega, Dinamarca, Finlândia e Estónia. Em 2003, a idéia chegou ao Canadá e outros países. Assim, o evento tornou-se conhecido internacionalmente como o Dia Mundial do Contador de Histórias. A França iniciou em 2004 e no ano seguinte já eram 25 países em 5 continentes. Em 2007 aconteceu um festival em Newfoundland, Canadá. Em 2008 a Holanda participou com um grande evento chamado Vertellers no de Aanval’ e três mil crianças ficaram surpresas com a aparição repentina de contadores de histórias em sala de aula. Em 2009, houve eventos na Europa, Ásia, África, América do Norte, América do Sul e Austrália.

FONTE: UOL

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HISTÓRIAS PARA CAMBIAR EL MUNDO

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20/06/2013 · 10:00 PM

Olá, sejam bem-vindos ao meu Blog! Aqui as “historinhas” são coisa séria!

Laerte Vargas

Contador de Histórias e

Facilitador de Oficinas

 

 

Contatos:

Spaço dos Contos

Avenida Rio Branco, 156 sala 1406

Largo da Carioca – RJ – 20040 003

Informações: (21) 2262 0035 e  9432 0333

laertevargascontadorhistorias@gmail.com


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OFICINA CONTADORES HISTÓRIAS

Conheça o Blog da Oficina clicando aqui

Módulo I : Sensibilização para a arte de ouvir e contar histórias

Programação do Módulo e Informações no Blog Oficina Contadores de Histórias

Indicação obras de apoio : 
· Contos Tradicionais do Brasil, de Luis da Câmara Cascudo
· Fábulas Italianas, Ítalo Calvino.
· Contos de Grimm, Vol. I e II, Edições L&PM.
As obras são indicadas apenas para quem não contar com acervo pessoal de contos tradicionais.
Solicite dados bancários para a inscrição através do e-mail oficinacontadoreshistorias@gmail.com
 

 
 

  
 
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ARTIGOS DE LAERTE VARGAS SOBRE CONTADORES DE HISTÓRIAS

Prezados Internautas,

 

Sempre me sinto lisonjeado quando os meus artigos e reflexões são inseridos aos blogs educativos ou usados em oficinas e encontros pedagógicos, mas vamos combinar o seguinte? As referências autorais são fundamentais!
Informações imprescindíveis logo abaixo do título da matéria:
Laerte Vargas
Contador de Histórias e  Facilitador de Oficinas
http://laertevargascontadorhistorias.wordpress.com
Todos os textos são protegidos pelas leis de direitos autorais e não são permitidas adaptações ou interferências nos mesmos.
 

Finais Infelizes que Ensinam

E foram felizes para sempre…

Você acha que toda história infantil deve terminar assim?
Então, como diz a propaganda, está na hora de rever seus conceitos.
Os contos de fada são considerados um pré-vestibular para a idade adulta e preparam de uma forma subjetiva, as crianças para a trajetória rumo à idade adulta que, todos nós sabemos, não implica em acertos e vitórias o tempo todo. Mas, por desinformação e imbuídos das melhores intenções, a maioria dos educadores e pais amenizam os finais dos contos de fada que não apresentam um desfecho otimista, celebrado muitas vezes com um interminável beijo de amor.
Ora, todos nós sabemos que infelizmente os casamentos não duram mais “até que a morte os separe” e que, mesmo os que se perpetuam, não são um mar de rosas o tempo todo. Por que, então, ficarmos condicionados a incutir desde cedo na cabeça dos pequenos  (e principalmente das meninas) a idéia de que a grande sorte da vida é um bom casamento? Estaremos fadando nossas filhas a viverem  uma existência sonambúlica caso não consigam se casar? Que tal pensarmos em histórias que também apresentem outras possibilidades de crescimento e evolução existencial ou então que contem sobre princesas que disseram não ao pedido do príncipe abestalhado com cabelinho repartido no meio?
Quando sentirmos dificuldade em dar voz aos contos que tratam de questões polêmicas, o melhor caminho é primeiro investigarmos a nossa formação e a criança que ainda somos internamente. Na maioria das vezes constatamos, após essa reflexão, que a dificuldade é nossa e não dos nossos alunos ou filhos. Adultos inseguros foram, na maioria das vezes, assombrados por pais igualmente temerosos. Educadores e pais que foram na infância assombrados por pais inseguros passarão “batidos” pelo Ciclo da Morte Lograda que faz parte do imaginário popular.
Sempre relato uma experiência que me fez refletir muito sobre esse tema: em uma das sessões numa enfermaria pediátrica (referência em tratamento de soropositivos), estava contando “Maria vai com as outras” da saudosa Sylvia Orthof que, em determinado trecho, traz a palavra veterinário. Por não ser comum ao universo infantil, perguntei se alguém sabia o que era um veterinário. Um deles levantou o dedo e respondeu: “é o lugar para onde a gente vai quando morre”. Desconcertado, mas sem perder o fio da história, respondi que veterinário é o doutor dos animais e o lugar ao qual ele havia se referido era cemitério.
Segui em frente, mas saí da sessão muito “mexido”. Nunca uma intervenção da platéia me ensinou tanto quanto aquela.
Até então achava que por estar contando histórias em um ambiente hospitalar (e principalmente em uma enfermaria com aquelas
características), deveria mostrar um mundo cor de rosa e repleto de leveza. Mas, na verdade, esse era o desejo do menino Laerte
que fora criado em um ambiente no qual o tema morte era escamoteado e nunca citado. No entanto, aquele ouvinte com seu aparte me mostrou que a dificuldade era só minha e que esperava encontrar em mim um interlocutor para falar disso.

A partir dali, percebi que deveria sim contar histórias alegres, mas comecei a trabalhar no meu repertório outras que tratavam de ruptura e transformação, contos em que o protagonista tinha que vencer dragões e gigantes para fazer jus ao ser feliz para sempre.
Nos trabalhos com comunidades, repetimos o mesmo engano: nossa intenção é sempre enaltecer a honestidade e o amor ao próximo para um público que sofre com o tráfico ou em instituições que cuidam de menores infratores.
Por que não começamos simplesmente divertindo?
Não é essa uma das funções fundamentais da contação de histórias? É preciso estabelecer elos com os ouvintes e eles não se entregarão se, logo de cara, você vier desfilando conceitos e dogmas. Depois que aqueles ouvintes tiverem se divertido com a sua história de abertura, você poderá narrar os contos que dão maior ênfase à moralidade e à ética. Mas, por favor, pegue leve na moral das histórias! Nunca o indicador em riste para finalizar um conto! A moral deve ser “lida” nas entrelinhas.
Sempre digo que contar histórias é “servir um banquete” e quando você se propõe a servir uma lauta refeição, não pensa em um prato só, não é mesmo? Você serve a entrada: as histórias mais leves e divertidas, facécias ou contos que enfatizem a importância do narrar. Depois, vem o prato principal: os contos mais extensos e, finalmente, a sobremesa, fábulas, lengalengas ou contos acumulativos. E aí, é só entrar pela perna do pato, sair pela perna do pinto e quem quiser que conte quatro.
Certo dia uma oficineira me disse que ouvira de um contador africano que a maior qualidade de um narrador é a brevidade. Desde então, venho refletindo sobre isso e inserindo, pouco a pouco, na minha prática. É importante que diversifiquemos os temas tratados na Hora do Conto (mesmo como preparação para o sono) para que possamos ampliar na criança as inúmeras possibilidades que a vida apresenta. Nem só de sucessos a vida é constituída; às vezes, aprendemos muito mais com os erros e uma das funções da contação de histórias é acordar a criança para a vida.
E nunca exagerar: é melhor que fique um gostinho de quero mais. E, tomando minha dica para mim mesmo, vou terminando esse artigo por aqui.
Quem quiser trazer questões para a coluna, é só me passar um e-mail, que vou adorar colocá-las na roda.


OS OLHOS SÃO A JANELA DA ALMA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

Do que dispõe o contador?

Uma sala (ou pátio, ou jardim, ou refeitório) e um grupo de ouvintes convidado a viajar por países e reinos infundados, conhecer outras culturas, ter notícias de outros povos e compartilhar momentos de fantasia e conhecimento.

É preciso estar atento para a força que este momento tem. Normalmente, partimos da idéia de que temos que começar imediatamente a contar para que a cumplicidade se estabeleça: o primeiro elo se dá no silêncio desse encontro, o olhar convidando para o contar.

Sempre que possível, chegar antes à sala ou ambiente onde vai se dar a “contação” estabelece vínculos mais palpáveis para o contador.

Você vai poder sentir as reais dimensões do espaço, perceber com quais dificuldades precisa lidar (se o ambiente for aberto, escolha o recanto que mais se preste para um encontro íntimo entre contador e ouvintes).

Em salas fechadas, aproveite o tempo anterior para sentir a acústica, a emissão de sua voz (nem tão baixa, nem tão alta: convidativa), aquecê-la com mantras ou vogais e resolver como vai receber os convidados para o banquete.

Se existir palco ou tablado, perceba se a altura do mesmo vai distanciar você do seu público; muitas vezes escolher ficar embaixo, próximo às poltronas pode ser mais prazeroso do que ficar num palco com altura que o torne um elemento distante da platéia.

E atenção: atrás de você, contador, nada que interfira na viagem.

Perceba se há circulação ou cenários no palco que interfiram ou que não somem ao fio condutor da sessão.

Se possível, fundo neutro e roupa também. Normalmente, se opta por uma camiseta que tenha a logo do grupo com o qual trabalha ou então sem nada, numa cor básica.

Quando vou ouvir um contador, fico emocionado quando as portas se abrem permitindo o acesso ao local onde vai se dar a “contação” e o encontro à minha espera. É como se visitasse alguém e percebesse que o anfitrião reservou e esperou com carinho por aquele momento.

Saboreie o preâmbulo e não fique ansioso para começar a contar!

Olhe para os seus convidados, respire profundamente, sinta os seus pés bem plantados no chão e, em hipótese nenhuma, tenha pressa.

Fiel amiga do contador de histórias: uma garrafa ou copo de água na temperatura adequada. A boca está salivando convenientemente para promover uma fala gostosa de se ouvir? Lembre-se que o melhor lubrificante para voz é produzido pelo nosso próprio corpo: a saliva. Uma boca molhada é pré-requisito para uma voz clara e colorida.

Com o tempo, você vai perceber que o próprio grupo sinaliza, de uma forma misteriosa e silenciosa, o momento que você deve começar a contar. Nesse entremeio, nosso grande e único anfitrião: o olhar.

Vai perceber também, na sua prática, que cada grupo tem sua própria pulsação e é nela que você vai “embarcar” garantindo o sucesso da viagem.

Respire lenta e profundamente até sentir que a sua respiração e a do público se fundiram, tornando-se uma só.

Então, comece: se tiver “era uma vez” melhor ainda: essas três palavras mágicas são como um tapete voador a serviço da fantasia.

Os contos populares têm características iniciais muito próprias que são imprescindíveis para o bom entendimento da trama. Começam situando o ouvinte no tempo:

Era uma vez…

Ou
Existiu lá no oriente…

Ou ainda
Há muito tempo atrás…

Em seguida, dão conta dos personagens envolvidos no enredo:

Uma viúva que tinha duas filhas…

Ou
Um moleiro que tinha uma filha linda…

E tecem os primeiros fios do enredo:

A mãe tinha verdadeira adoração pela filha mais velha, mas não gostava nem um pouco da filha caçula…

Ou

Certo dia, ao se encontrar com o rei e para se dar importância comentou que sua filha sabia transformar palha em ouro…

Três momentos que passam num piscar de olhos, mas que são imprescindíveis para o bom entendimento da história e seus desdobramentos.

Desenvolva esse preâmbulo percebendo como ele está ecoando na platéia: momento também para identificar aquele ouvinte inquieto que deverá requerer mais atenção que os demais. Torná-lo foco das atenções, direcionar a história para ele inicialmente pode fazê-lo ficar mais receptível e cúmplice.

E para essa parceria com que contamos? Nosso amigo inseparável: o olhar. É ele que convida, aproxima, preenche os silêncios e diferencia a “contação” de tantas outras linguagens.


CONTAR HISTÓRIAS: Será que eu levo jeito pra isso?

Seminário Educação pelo SINPRO-RJ

 

Era uma vez…

Três palavras que abrem as comportas da imaginação, que nos convidam a visitar reinos inimagináveis e nos transportam para outras épocas.
A partir do jogo do faz-de-conta, vamos conduzindo a criança no aprendizado da vida e, sem ter cara de aula, ensinamos ética, cultura geral e tantas outras lições apreendidas pela via do afeto!
Mas… será que eu tenho jeito pra isso?

Claro que sim! Todos nós temos um contador de histórias clamando por botar a boca no trombone. É preciso, no entanto, descobrir o seu estilo e o seu jeito muito próprio, inimitável, de contar histórias.
A maioria dos educadores pensa que é preciso uma parafernália: bonecos, panos, sonoplastia e se dispor a extrapolar limites além da sua personalidade.
Calma! Não é nada disso! Caras e bocas podem fazer a criança pensar: “mas que adulto idiota!”.
Seja simples no contar, sofistique na escolha das histórias.
Vamos falar dessa tal simplicidade? Pois bem, contar histórias é, acima de tudo, compartilhar.
Crie para a Hora do Conto uma organização diferente das carteiras. Se for possível encostá-las e espalhar tapetes pelo chão, melhor ainda. À criança deve ser
dada a possibilidade de ouvir deitada, sentada, encostada na parede, “futucando” o nariz, da forma que lhe der na telha!
Se for impossível essa “desorganização” ou criar um canto para a contação de histórias na sala, organize as carteiras num semi-círculo – as histórias eram contadas assim nos tempos idos. A roda tem um efeito inclusivo mágico nesse momento.
Mas simplicidade quer dizer contar a história de qualquer jeito? Na-na-ni-na-não!
É claro que para dar voz a uma história, você deverá ter lido várias vezes o conto, grifado com cores diferentes palavras importantes na história, brincado com as  imagens que elas suscitam e feito sua viagem muito particular pelo enredo que ela tece.
Nada de treinar em frente ao espelho! Isso já era e, além do mais, somos, às vezes, os piores juízes de nós mesmos!
Grave a história e deite-se numa atitude de relaxamento: nuca alongada, pernas dobradas e pés apoiados no chão, espaço entre as pernas correspondente à largura da sua bacia. Respire pausadamente, prestando atenção ao seu ritmo respiratório: expiração, pausa, inspiração, pausa, expiração. Dê um tempo para o seu corpo ir se soltando, a mente silenciando, nada de “musiquinha” de relaxamento; a idéia não é fazer você dormir e, sim, serenar a mente para receber o história.
Então, ouça a história. Procure visualizar os personagens, o local onde a história acontece e não seja tão crítico nesse momento, use a gravação apenas como condutora da sua viagem. Perceba se existem lacunas na narrativa – contação não é cinema, com corte e edição. Se a princesa está na floresta e deseja chegar ao castelo, ela terá que sair da mata, pegar a estrada, entrar no reino, cruzar a praça  principal para, finalmente, ver o castelo majestoso lááááááááááááá no alto da colina. Não pule etapas.
E sinta a pulsação da história: expansão, pausa, contração, pausa, expansão…
E aí? Foi bom pra você?
Conseguiu ver a “cara” dos personagens? Sentiu um frio na espinha quando a assombração perseguiu a menina pelos corredores do castelo?
Talvez aqui e ali tenha percebido que algumas palavras se repetem em demasia e seja melhor enriquecer o vocabulário das crianças com palavras novas; talvez o desenlace esteja acontecendo de um jeito súbito demais.
Ótimo! Então, mãos à obra!
Não conseguiremos “engravidar as palavras de sentido” se não formos viajantes do conto.
E isso me faz lembrar um pré-requisito fundamental para um contador de histórias: uma boa dose de delírio.
Pessoas muito racionais e práticas talvez venham a encontrar maior dificuldade para dar voz a uma história. Afinal, como acreditar que aquele sapo era um leão de pedra que vivera encantado durante anos na caverna do Elfo Azul e agora se transforma em príncipe frente aos olhos da Princesa Anã?
Contar histórias é imaginar o inimaginável, o conto só ganha corpo e existe quando é materializado na imaginação do ouvinte e do contador. Aí, sim, ele estará cumprindo a sua missão essencial.
Ponho uma “musiquinha” aqui nesse momento mais triste? Tocar um instrumento pode até ser, mas lembre-se sempre que a leitura que você faz do conto pode não ser a leitura que a criança faz. O ouvinte pode estar dando graças a Deus da bruxa ter acabado de
vez com aquele príncipe idiota. Não imponha sua leitura, dê espaço para que a criança faça a dela. Esse é um dos nossos intuitos ao promover a Hora do Conto, lembra? Formar leitores múltiplos.
E nada de finais moralizantes, viu? A moral deve ser subliminar e o tempo para a criança digerir o conto deve ser preservado sempre.
Também nada de atividades imediatamente após a contação de histórias. A Hora do Conto, por si só, já é uma atividade repleta de conteúdos.
Se quiser desenvolver tarefas a partir das histórias contadas, deixe para o dia seguinte, permita que a criança vá pra casa “jiboiando” o conto e possa comentar após um tempo.
Quanto ao repertório… Bem, isso já é uma outra conversa. Todos nós sabemos que dar conta da vida profissional e pessoal já são tarefas suficientes para exaurir qualquer um, principalmente as mulheres.
Vá trabalhando seu repertório devagar, comece com as histórias contadas pelo povo à sua volta. A criança adora ouvir contos que aconteceram bem pertinho, naquela casa abandonada no final da rua e que todo mundo evita passar em noite de lua cheia. O
imaginário popular está pipocando com lendas desse tipo que são, além de tudo, um excelente antídoto para os temores infantis. Alguns educadores e pais acham que as histórias de almas penadas podem tornar a criança insegura e temerosa, mas o resultado é exatamente o oposto! Os causos de assombração levam as crianças a vencerem seus medos internos com mais facilidade, pois tudo se dá no plano do era uma vez.
Uma estratégia simples e sedutora para diversificar o repertório contado em sala de aula é criar uma rede entre os educadores que atuam na escola: cada um trabalha duas a três histórias por semestre e depois se revezam visitando as turmas dos colegas.
E sempre contar histórias populares, claro! Não é à toa que esse material oriundo da literatura oral se preserva até hoje. Ele fala, numa linguagem metafórica, dos percalços e embates que a criança viverá na idade adulta.
Bocas à obra? Mas não se esqueçam de me contar os resultados. Como bom contador de histórias, adoro ouvi-las também!


Histórias infantis e faixas etárias

Uma das perguntas mais recorrentes nas oficinas de contação é “Quais as histórias indicadas para cada faixa etária?” . Fico me perguntando se nos tempos idos os contadores de causos que animavam os serões de histórias nas fazendas ou nos povoados tinham essa preocupação e elucubravam a respeito.
Claro que não! A prática não seguia nenhum paradigma ou estabelecia limites para o repertório contado. Com isso, a criança ouvia, ao lado de adultos, histórias de terror, de mula sem cabeça e uma das primeiras intenções da arte de contar histórias era alcançada: a de agregar. Mas os tempos mudaram e, quando digo isso, não quero dizer que uma época seja melhor ou que esteja mais certa ou errada, não. O olhar era outro.
No Módulo I da Oficina de Contadores de Histórias, a investigação das raízes da literatura infantil começa a partir do século XVII e, mais especificamente, a partir da compilação que Charles Perrault fez das histórias tradicionais. Histórias que culminaram na publicação de Contos da Mamãe Gansa (personagem dos velhos contos populares franceses que contava historietas para seus filhotes) que incluía, entre outros, Chapeuzinho Vermelho, As Fadas e a Bela Adormecida no Bosque. No entanto, ainda não havia a intenção de ser produzida uma literatura específica para as crianças, mesmo porque elas não eram entendidas como crianças.
No Brasil, surgiram, no final do século XIX, os Contos da Carochinha, que se desdobraram em variantes extremamente influenciadas pelas amas africanas que as contavam. Por ser um material que circulava pelas classes menos favorecidas, tinha uma linguagem simples, que a todos encantava e não era tão importante saber se uma criança de cinco anos estava compartilhando a mesma história com seu irmão de doze. Contos que, na maioria das vezes, falavam da busca do autoconhecimento, ritos de passagem que pegavam carona no fantástico e que ajudaram tantas identidades a se formarem.
Hoje em dia já não vamos tanto pela intuição, infelizmente. Precisamos ter certeza absoluta e errar muito pouco, principalmente com nossos filhos. Afinal, a vida anda corrida demais e já não temos tempo sobrando para arriscarmos ou experimentarmos e, ao final, não sermos pedagogicamente corretos.
Acho que essa questão de faixa etária é mais mercadológica do que qualquer outra coisa. É claro que o bom senso conta muito. Não vamos contar os Contos da Morte Lograda para uma criança de 4 anos, assim como não vamos contar Os Sete Cabritinhos para um pré-adolescente.
É preciso dedicar tempo e não buscar ter tudo pronto. Contar histórias é uma arte que envolve pesquisa, atenção, discernimento, percepção e proximidade. Não dá para o livro estar lá na estante e você no outro extremo buscando receitas prontas para facilitar a sua vida.
São poucos os pais que compartilham realmente do prazer de ouvir histórias ao lado dos filhos. Nós, contadores, sabemos muito bem disso por conta da nossa experiência em livrarias e centro culturais: os pais abandonam os filhos no canto dos contos e só reaparecem no final. Em casa é que começa a  tarefa que delegamos à escola: a de fazer de nossos filhos leitores ávidos e ela começa bem cedo com as parlendas e as cantigas de roda. É o primeiro caminho para tornar sedutor o exercício da leitura  e fazer com que a criança peça mais. Depois, vamos inserindo as fábulas, as narrativas curtas que envolvem brinquedos e alimentos e, aí sim, começamos a contar as histórias mais elaboradas: os contos de fada, de encantamento. E, então, quando nos damos conta, temos à nossa frente um devorador de livros. E ele, sem dúvida, vai se tornar um adulto muito mais interessante e sensível.

Boa sorte!

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