DIA INTERNACIONAL DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

CONTADOR DE HISTÓRIAS

 

 

O Dia Internacional do Contador de Histórias é comemorado em 20 de março, principalmente na Europa. É uma data de celebração mundial e coincide com o início da primavera no hemisfério norte, e do outono no hemisfério sul.

As raízes do evento iniciaram em 1991, na Suécia, e chamava-se “Dia de Todos os Contadores de Histórias”. O evento prosseguiu em 1992, mas após isso foi perdendo força. Em 1997, contadores de histórias em Perth, Austrália Ocidental coordenaram uma celebração durante uma semana, comemorando 20 de março como o Dia Internacional de Narradores Orais. Ao mesmo tempo, no México e outros países da América do Sul, 20 de março foi celebrado como o Dia Nacional de Narradores.

A de 2001, a rede escandinava de contadores de histórias deu um novo impulso ao 20 de março, e a partir do ano seguinte, o evento espalhou-se da Suécia para a Noruega, Dinamarca, Finlândia e Estónia. Em 2003, a idéia chegou ao Canadá e outros países. Assim, o evento tornou-se conhecido internacionalmente como o Dia Mundial do Contador de Histórias. A França iniciou em 2004 e no ano seguinte já eram 25 países em 5 continentes. Em 2007 aconteceu um festival em Newfoundland, Canadá. Em 2008 a Holanda participou com um grande evento chamado Vertellers no de Aanval’ e três mil crianças ficaram surpresas com a aparição repentina de contadores de histórias em sala de aula. Em 2009, houve eventos na Europa, Ásia, África, América do Norte, América do Sul e Austrália.

FONTE: UOL

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HISTÓRIAS PARA CAMBIAR EL MUNDO

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2 Comentários

20/06/2013 · 10:00 PM

Olá, sejam bem-vindos ao meu Blog! Aqui as “historinhas” são coisa séria!

Laerte Vargas

Contador de Histórias e

Facilitador de Oficinas

 

 

Contatos:

Spaço dos Contos

Avenida Rio Branco, 156 sala 1406

Largo da Carioca – RJ – 20040 003

Informações: (21) 2262 0035 e  9432 0333

laertevargascontadorhistorias@gmail.com


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OFICINA CONTADORES HISTÓRIAS

Conheça o Blog da Oficina clicando aqui

Módulo I : Sensibilização para a arte de ouvir e contar histórias

Programação do Módulo e Informações no Blog Oficina Contadores de Histórias

Indicação obras de apoio : 
· Contos Tradicionais do Brasil, de Luis da Câmara Cascudo
· Fábulas Italianas, Ítalo Calvino.
· Contos de Grimm, Vol. I e II, Edições L&PM.
As obras são indicadas apenas para quem não contar com acervo pessoal de contos tradicionais.
Solicite dados bancários para a inscrição através do e-mail oficinacontadoreshistorias@gmail.com
 

 
 

  
 
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ARTIGOS DE LAERTE VARGAS SOBRE CONTADORES DE HISTÓRIAS

Prezados Internautas,

 

Sempre me sinto lisonjeado quando os meus artigos e reflexões são inseridos aos blogs educativos ou usados em oficinas e encontros pedagógicos, mas vamos combinar o seguinte? As referências autorais são fundamentais!
Informações imprescindíveis logo abaixo do título da matéria:
Laerte Vargas
Contador de Histórias e  Facilitador de Oficinas
http://laertevargascontadorhistorias.wordpress.com
Todos os textos são protegidos pelas leis de direitos autorais e não são permitidas adaptações ou interferências nos mesmos.
 

Finais Infelizes que Ensinam

E foram felizes para sempre…

Você acha que toda história infantil deve terminar assim?
Então, como diz a propaganda, está na hora de rever seus conceitos.
Os contos de fada são considerados um pré-vestibular para a idade adulta e preparam de uma forma subjetiva, as crianças para a trajetória rumo à idade adulta que, todos nós sabemos, não implica em acertos e vitórias o tempo todo. Mas, por desinformação e imbuídos das melhores intenções, a maioria dos educadores e pais amenizam os finais dos contos de fada que não apresentam um desfecho otimista, celebrado muitas vezes com um interminável beijo de amor.
Ora, todos nós sabemos que infelizmente os casamentos não duram mais “até que a morte os separe” e que, mesmo os que se perpetuam, não são um mar de rosas o tempo todo. Por que, então, ficarmos condicionados a incutir desde cedo na cabeça dos pequenos  (e principalmente das meninas) a idéia de que a grande sorte da vida é um bom casamento? Estaremos fadando nossas filhas a viverem  uma existência sonambúlica caso não consigam se casar? Que tal pensarmos em histórias que também apresentem outras possibilidades de crescimento e evolução existencial ou então que contem sobre princesas que disseram não ao pedido do príncipe abestalhado com cabelinho repartido no meio?
Quando sentirmos dificuldade em dar voz aos contos que tratam de questões polêmicas, o melhor caminho é primeiro investigarmos a nossa formação e a criança que ainda somos internamente. Na maioria das vezes constatamos, após essa reflexão, que a dificuldade é nossa e não dos nossos alunos ou filhos. Adultos inseguros foram, na maioria das vezes, assombrados por pais igualmente temerosos. Educadores e pais que foram na infância assombrados por pais inseguros passarão “batidos” pelo Ciclo da Morte Lograda que faz parte do imaginário popular.
Sempre relato uma experiência que me fez refletir muito sobre esse tema: em uma das sessões numa enfermaria pediátrica (referência em tratamento de soropositivos), estava contando “Maria vai com as outras” da saudosa Sylvia Orthof que, em determinado trecho, traz a palavra veterinário. Por não ser comum ao universo infantil, perguntei se alguém sabia o que era um veterinário. Um deles levantou o dedo e respondeu: “é o lugar para onde a gente vai quando morre”. Desconcertado, mas sem perder o fio da história, respondi que veterinário é o doutor dos animais e o lugar ao qual ele havia se referido era cemitério.
Segui em frente, mas saí da sessão muito “mexido”. Nunca uma intervenção da platéia me ensinou tanto quanto aquela.
Até então achava que por estar contando histórias em um ambiente hospitalar (e principalmente em uma enfermaria com aquelas
características), deveria mostrar um mundo cor de rosa e repleto de leveza. Mas, na verdade, esse era o desejo do menino Laerte
que fora criado em um ambiente no qual o tema morte era escamoteado e nunca citado. No entanto, aquele ouvinte com seu aparte me mostrou que a dificuldade era só minha e que esperava encontrar em mim um interlocutor para falar disso.

A partir dali, percebi que deveria sim contar histórias alegres, mas comecei a trabalhar no meu repertório outras que tratavam de ruptura e transformação, contos em que o protagonista tinha que vencer dragões e gigantes para fazer jus ao ser feliz para sempre.
Nos trabalhos com comunidades, repetimos o mesmo engano: nossa intenção é sempre enaltecer a honestidade e o amor ao próximo para um público que sofre com o tráfico ou em instituições que cuidam de menores infratores.
Por que não começamos simplesmente divertindo?
Não é essa uma das funções fundamentais da contação de histórias? É preciso estabelecer elos com os ouvintes e eles não se entregarão se, logo de cara, você vier desfilando conceitos e dogmas. Depois que aqueles ouvintes tiverem se divertido com a sua história de abertura, você poderá narrar os contos que dão maior ênfase à moralidade e à ética. Mas, por favor, pegue leve na moral das histórias! Nunca o indicador em riste para finalizar um conto! A moral deve ser “lida” nas entrelinhas.
Sempre digo que contar histórias é “servir um banquete” e quando você se propõe a servir uma lauta refeição, não pensa em um prato só, não é mesmo? Você serve a entrada: as histórias mais leves e divertidas, facécias ou contos que enfatizem a importância do narrar. Depois, vem o prato principal: os contos mais extensos e, finalmente, a sobremesa, fábulas, lengalengas ou contos acumulativos. E aí, é só entrar pela perna do pato, sair pela perna do pinto e quem quiser que conte quatro.
Certo dia uma oficineira me disse que ouvira de um contador africano que a maior qualidade de um narrador é a brevidade. Desde então, venho refletindo sobre isso e inserindo, pouco a pouco, na minha prática. É importante que diversifiquemos os temas tratados na Hora do Conto (mesmo como preparação para o sono) para que possamos ampliar na criança as inúmeras possibilidades que a vida apresenta. Nem só de sucessos a vida é constituída; às vezes, aprendemos muito mais com os erros e uma das funções da contação de histórias é acordar a criança para a vida.
E nunca exagerar: é melhor que fique um gostinho de quero mais. E, tomando minha dica para mim mesmo, vou terminando esse artigo por aqui.
Quem quiser trazer questões para a coluna, é só me passar um e-mail, que vou adorar colocá-las na roda.


OS OLHOS SÃO A JANELA DA ALMA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

Do que dispõe o contador?

Uma sala (ou pátio, ou jardim, ou refeitório) e um grupo de ouvintes convidado a viajar por países e reinos infundados, conhecer outras culturas, ter notícias de outros povos e compartilhar momentos de fantasia e conhecimento.

É preciso estar atento para a força que este momento tem. Normalmente, partimos da idéia de que temos que começar imediatamente a contar para que a cumplicidade se estabeleça: o primeiro elo se dá no silêncio desse encontro, o olhar convidando para o contar.

Sempre que possível, chegar antes à sala ou ambiente onde vai se dar a “contação” estabelece vínculos mais palpáveis para o contador.

Você vai poder sentir as reais dimensões do espaço, perceber com quais dificuldades precisa lidar (se o ambiente for aberto, escolha o recanto que mais se preste para um encontro íntimo entre contador e ouvintes).

Em salas fechadas, aproveite o tempo anterior para sentir a acústica, a emissão de sua voz (nem tão baixa, nem tão alta: convidativa), aquecê-la com mantras ou vogais e resolver como vai receber os convidados para o banquete.

Se existir palco ou tablado, perceba se a altura do mesmo vai distanciar você do seu público; muitas vezes escolher ficar embaixo, próximo às poltronas pode ser mais prazeroso do que ficar num palco com altura que o torne um elemento distante da platéia.

E atenção: atrás de você, contador, nada que interfira na viagem.

Perceba se há circulação ou cenários no palco que interfiram ou que não somem ao fio condutor da sessão.

Se possível, fundo neutro e roupa também. Normalmente, se opta por uma camiseta que tenha a logo do grupo com o qual trabalha ou então sem nada, numa cor básica.

Quando vou ouvir um contador, fico emocionado quando as portas se abrem permitindo o acesso ao local onde vai se dar a “contação” e o encontro à minha espera. É como se visitasse alguém e percebesse que o anfitrião reservou e esperou com carinho por aquele momento.

Saboreie o preâmbulo e não fique ansioso para começar a contar!

Olhe para os seus convidados, respire profundamente, sinta os seus pés bem plantados no chão e, em hipótese nenhuma, tenha pressa.

Fiel amiga do contador de histórias: uma garrafa ou copo de água na temperatura adequada. A boca está salivando convenientemente para promover uma fala gostosa de se ouvir? Lembre-se que o melhor lubrificante para voz é produzido pelo nosso próprio corpo: a saliva. Uma boca molhada é pré-requisito para uma voz clara e colorida.

Com o tempo, você vai perceber que o próprio grupo sinaliza, de uma forma misteriosa e silenciosa, o momento que você deve começar a contar. Nesse entremeio, nosso grande e único anfitrião: o olhar.

Vai perceber também, na sua prática, que cada grupo tem sua própria pulsação e é nela que você vai “embarcar” garantindo o sucesso da viagem.

Respire lenta e profundamente até sentir que a sua respiração e a do público se fundiram, tornando-se uma só.

Então, comece: se tiver “era uma vez” melhor ainda: essas três palavras mágicas são como um tapete voador a serviço da fantasia.

Os contos populares têm características iniciais muito próprias que são imprescindíveis para o bom entendimento da trama. Começam situando o ouvinte no tempo:

Era uma vez…

Ou
Existiu lá no oriente…

Ou ainda
Há muito tempo atrás…

Em seguida, dão conta dos personagens envolvidos no enredo:

Uma viúva que tinha duas filhas…

Ou
Um moleiro que tinha uma filha linda…

E tecem os primeiros fios do enredo:

A mãe tinha verdadeira adoração pela filha mais velha, mas não gostava nem um pouco da filha caçula…

Ou

Certo dia, ao se encontrar com o rei e para se dar importância comentou que sua filha sabia transformar palha em ouro…

Três momentos que passam num piscar de olhos, mas que são imprescindíveis para o bom entendimento da história e seus desdobramentos.

Desenvolva esse preâmbulo percebendo como ele está ecoando na platéia: momento também para identificar aquele ouvinte inquieto que deverá requerer mais atenção que os demais. Torná-lo foco das atenções, direcionar a história para ele inicialmente pode fazê-lo ficar mais receptível e cúmplice.

E para essa parceria com que contamos? Nosso amigo inseparável: o olhar. É ele que convida, aproxima, preenche os silêncios e diferencia a “contação” de tantas outras linguagens.


CONTAR HISTÓRIAS: Será que eu levo jeito pra isso?

Seminário Educação pelo SINPRO-RJ

 

Era uma vez…

Três palavras que abrem as comportas da imaginação, que nos convidam a visitar reinos inimagináveis e nos transportam para outras épocas.
A partir do jogo do faz-de-conta, vamos conduzindo a criança no aprendizado da vida e, sem ter cara de aula, ensinamos ética, cultura geral e tantas outras lições apreendidas pela via do afeto!
Mas… será que eu tenho jeito pra isso?

Claro que sim! Todos nós temos um contador de histórias clamando por botar a boca no trombone. É preciso, no entanto, descobrir o seu estilo e o seu jeito muito próprio, inimitável, de contar histórias.
A maioria dos educadores pensa que é preciso uma parafernália: bonecos, panos, sonoplastia e se dispor a extrapolar limites além da sua personalidade.
Calma! Não é nada disso! Caras e bocas podem fazer a criança pensar: “mas que adulto idiota!”.
Seja simples no contar, sofistique na escolha das histórias.
Vamos falar dessa tal simplicidade? Pois bem, contar histórias é, acima de tudo, compartilhar.
Crie para a Hora do Conto uma organização diferente das carteiras. Se for possível encostá-las e espalhar tapetes pelo chão, melhor ainda. À criança deve ser
dada a possibilidade de ouvir deitada, sentada, encostada na parede, “futucando” o nariz, da forma que lhe der na telha!
Se for impossível essa “desorganização” ou criar um canto para a contação de histórias na sala, organize as carteiras num semi-círculo – as histórias eram contadas assim nos tempos idos. A roda tem um efeito inclusivo mágico nesse momento.
Mas simplicidade quer dizer contar a história de qualquer jeito? Na-na-ni-na-não!
É claro que para dar voz a uma história, você deverá ter lido várias vezes o conto, grifado com cores diferentes palavras importantes na história, brincado com as  imagens que elas suscitam e feito sua viagem muito particular pelo enredo que ela tece.
Nada de treinar em frente ao espelho! Isso já era e, além do mais, somos, às vezes, os piores juízes de nós mesmos!
Grave a história e deite-se numa atitude de relaxamento: nuca alongada, pernas dobradas e pés apoiados no chão, espaço entre as pernas correspondente à largura da sua bacia. Respire pausadamente, prestando atenção ao seu ritmo respiratório: expiração, pausa, inspiração, pausa, expiração. Dê um tempo para o seu corpo ir se soltando, a mente silenciando, nada de “musiquinha” de relaxamento; a idéia não é fazer você dormir e, sim, serenar a mente para receber o história.
Então, ouça a história. Procure visualizar os personagens, o local onde a história acontece e não seja tão crítico nesse momento, use a gravação apenas como condutora da sua viagem. Perceba se existem lacunas na narrativa – contação não é cinema, com corte e edição. Se a princesa está na floresta e deseja chegar ao castelo, ela terá que sair da mata, pegar a estrada, entrar no reino, cruzar a praça  principal para, finalmente, ver o castelo majestoso lááááááááááááá no alto da colina. Não pule etapas.
E sinta a pulsação da história: expansão, pausa, contração, pausa, expansão…
E aí? Foi bom pra você?
Conseguiu ver a “cara” dos personagens? Sentiu um frio na espinha quando a assombração perseguiu a menina pelos corredores do castelo?
Talvez aqui e ali tenha percebido que algumas palavras se repetem em demasia e seja melhor enriquecer o vocabulário das crianças com palavras novas; talvez o desenlace esteja acontecendo de um jeito súbito demais.
Ótimo! Então, mãos à obra!
Não conseguiremos “engravidar as palavras de sentido” se não formos viajantes do conto.
E isso me faz lembrar um pré-requisito fundamental para um contador de histórias: uma boa dose de delírio.
Pessoas muito racionais e práticas talvez venham a encontrar maior dificuldade para dar voz a uma história. Afinal, como acreditar que aquele sapo era um leão de pedra que vivera encantado durante anos na caverna do Elfo Azul e agora se transforma em príncipe frente aos olhos da Princesa Anã?
Contar histórias é imaginar o inimaginável, o conto só ganha corpo e existe quando é materializado na imaginação do ouvinte e do contador. Aí, sim, ele estará cumprindo a sua missão essencial.
Ponho uma “musiquinha” aqui nesse momento mais triste? Tocar um instrumento pode até ser, mas lembre-se sempre que a leitura que você faz do conto pode não ser a leitura que a criança faz. O ouvinte pode estar dando graças a Deus da bruxa ter acabado de
vez com aquele príncipe idiota. Não imponha sua leitura, dê espaço para que a criança faça a dela. Esse é um dos nossos intuitos ao promover a Hora do Conto, lembra? Formar leitores múltiplos.
E nada de finais moralizantes, viu? A moral deve ser subliminar e o tempo para a criança digerir o conto deve ser preservado sempre.
Também nada de atividades imediatamente após a contação de histórias. A Hora do Conto, por si só, já é uma atividade repleta de conteúdos.
Se quiser desenvolver tarefas a partir das histórias contadas, deixe para o dia seguinte, permita que a criança vá pra casa “jiboiando” o conto e possa comentar após um tempo.
Quanto ao repertório… Bem, isso já é uma outra conversa. Todos nós sabemos que dar conta da vida profissional e pessoal já são tarefas suficientes para exaurir qualquer um, principalmente as mulheres.
Vá trabalhando seu repertório devagar, comece com as histórias contadas pelo povo à sua volta. A criança adora ouvir contos que aconteceram bem pertinho, naquela casa abandonada no final da rua e que todo mundo evita passar em noite de lua cheia. O
imaginário popular está pipocando com lendas desse tipo que são, além de tudo, um excelente antídoto para os temores infantis. Alguns educadores e pais acham que as histórias de almas penadas podem tornar a criança insegura e temerosa, mas o resultado é exatamente o oposto! Os causos de assombração levam as crianças a vencerem seus medos internos com mais facilidade, pois tudo se dá no plano do era uma vez.
Uma estratégia simples e sedutora para diversificar o repertório contado em sala de aula é criar uma rede entre os educadores que atuam na escola: cada um trabalha duas a três histórias por semestre e depois se revezam visitando as turmas dos colegas.
E sempre contar histórias populares, claro! Não é à toa que esse material oriundo da literatura oral se preserva até hoje. Ele fala, numa linguagem metafórica, dos percalços e embates que a criança viverá na idade adulta.
Bocas à obra? Mas não se esqueçam de me contar os resultados. Como bom contador de histórias, adoro ouvi-las também!


Histórias infantis e faixas etárias

Uma das perguntas mais recorrentes nas oficinas de contação é “Quais as histórias indicadas para cada faixa etária?” . Fico me perguntando se nos tempos idos os contadores de causos que animavam os serões de histórias nas fazendas ou nos povoados tinham essa preocupação e elucubravam a respeito.
Claro que não! A prática não seguia nenhum paradigma ou estabelecia limites para o repertório contado. Com isso, a criança ouvia, ao lado de adultos, histórias de terror, de mula sem cabeça e uma das primeiras intenções da arte de contar histórias era alcançada: a de agregar. Mas os tempos mudaram e, quando digo isso, não quero dizer que uma época seja melhor ou que esteja mais certa ou errada, não. O olhar era outro.
No Módulo I da Oficina de Contadores de Histórias, a investigação das raízes da literatura infantil começa a partir do século XVII e, mais especificamente, a partir da compilação que Charles Perrault fez das histórias tradicionais. Histórias que culminaram na publicação de Contos da Mamãe Gansa (personagem dos velhos contos populares franceses que contava historietas para seus filhotes) que incluía, entre outros, Chapeuzinho Vermelho, As Fadas e a Bela Adormecida no Bosque. No entanto, ainda não havia a intenção de ser produzida uma literatura específica para as crianças, mesmo porque elas não eram entendidas como crianças.
No Brasil, surgiram, no final do século XIX, os Contos da Carochinha, que se desdobraram em variantes extremamente influenciadas pelas amas africanas que as contavam. Por ser um material que circulava pelas classes menos favorecidas, tinha uma linguagem simples, que a todos encantava e não era tão importante saber se uma criança de cinco anos estava compartilhando a mesma história com seu irmão de doze. Contos que, na maioria das vezes, falavam da busca do autoconhecimento, ritos de passagem que pegavam carona no fantástico e que ajudaram tantas identidades a se formarem.
Hoje em dia já não vamos tanto pela intuição, infelizmente. Precisamos ter certeza absoluta e errar muito pouco, principalmente com nossos filhos. Afinal, a vida anda corrida demais e já não temos tempo sobrando para arriscarmos ou experimentarmos e, ao final, não sermos pedagogicamente corretos.
Acho que essa questão de faixa etária é mais mercadológica do que qualquer outra coisa. É claro que o bom senso conta muito. Não vamos contar os Contos da Morte Lograda para uma criança de 4 anos, assim como não vamos contar Os Sete Cabritinhos para um pré-adolescente.
É preciso dedicar tempo e não buscar ter tudo pronto. Contar histórias é uma arte que envolve pesquisa, atenção, discernimento, percepção e proximidade. Não dá para o livro estar lá na estante e você no outro extremo buscando receitas prontas para facilitar a sua vida.
São poucos os pais que compartilham realmente do prazer de ouvir histórias ao lado dos filhos. Nós, contadores, sabemos muito bem disso por conta da nossa experiência em livrarias e centro culturais: os pais abandonam os filhos no canto dos contos e só reaparecem no final. Em casa é que começa a  tarefa que delegamos à escola: a de fazer de nossos filhos leitores ávidos e ela começa bem cedo com as parlendas e as cantigas de roda. É o primeiro caminho para tornar sedutor o exercício da leitura  e fazer com que a criança peça mais. Depois, vamos inserindo as fábulas, as narrativas curtas que envolvem brinquedos e alimentos e, aí sim, começamos a contar as histórias mais elaboradas: os contos de fada, de encantamento. E, então, quando nos damos conta, temos à nossa frente um devorador de livros. E ele, sem dúvida, vai se tornar um adulto muito mais interessante e sensível.

Boa sorte!

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Ping Pong Contadores Histórias e Agentes de Leitura

 DÚVIDAS E QUESTÕES

 

 
 
 
Olá, amigos.
Abaixo selecionei algumas das perguntas que pipocam no Fórum Contadores de Histórias 

 Enviem suas dúvidas e sugestões para contadoresdehistorias@uol.com.br

Laerte Vargas
Obs: Não houve nenhuma revisão ortográfica nas perguntas dos internautas.
  

Fabiana Coelho, em Novembro 5th, 2008 às 8:08 pm Diz:

 

Pergunto: o que fazer quando o espaço da leitura é uma biblioteca comunitária, pequena, onde as crianças já estão lá dentro, ou chegam junto comigo e abrimos juntas as portas da bilbioteca? O que fazer quando as crianças tem dificuldades com a disciplina e não conseguem ficar paradas durante muito tempo? O que fazer quando a gente conta as histórias sempre para o mesmo grupo de crianças que, as vezes, quer que a gente repita a mesma história vários dias seguidos? É complicado mesclar a contação de histórias com atividades lúdicas e pedagógicas? Desculpe tantas questões, mas descobri este blog e ele pode ser importante para mim e para meus meninos.

Olá, Fabiana.

No caso de você chegar e já encontrar as crianças esperando por você, uma sugestão é criar uma caixa ou baú onde você possa separar, ao final de cada encontro, os elementos e os livros que for trabalhar no dia seguinte. Se vocês chegarem juntos, melhor ainda: ao final de cada dia, vocês poderão preparar esta ambiência em conjunto.

  O que fazer quando as crianças têm dificuldades em relação à disciplina e não conseguem ficar paradas durante muito tempo? É fundamental saber dar limites e ter alguns acordos prévios com as crianças. Converse com o grupo e estabeleça algumas regras de boa convivência. Vocês, juntos, podem escolher a “punição” para aqueles que as infringirem. Dê a eles algumas “funções” dentro da biblioteca, como colocar as cadeiras e livros no lugar, redecorar a sala ou mudar a disposição das mesas.

Dar aos mais inquietos a possibilidade de escolher as histórias que serão lidas ou contadas no próximo encontro pode ser um bom recurso para melhorar a auto-estima desses participantes.

E não estenda demais as sessões: o bolo pode “desandar”.

  • O que fazer quando a gente conta as histórias sempre para o mesmo grupo de crianças, que, às vezes, quer que a gente repita a mesma história vários dias seguidos?

Repetir, repetir, repetir. Procure perceber qual o conteúdo dessas histórias. Ele trará muitas respostas para os seus questionamentos quanto a esse grupo.

  • É complicado mesclar a contação de histórias com atividades lúdicas e pedagógicas?

Existem atividades que saltam das histórias, como trava-línguas, adivinhas, brincadeiras com nomes próprios e tantas outras que cutucam a gente gritando: “Estou aqui!”

Quando isso não acontecer, conte, conte e reconte. Leia a entrevista com a Cristiane Mandanelo no Entrevistas da Quinzena.

  • Desculpe tantas questões, mas descobri este blog e ele pode ser importante para mim e para meus meninos.

Eu as adorei. Obrigado.

Fabiana Coelho, em Novembro 18th, 2008 às 5:14 pm Diz:

Obrigada, professor Laerte. Suas dicas foram muito úteis. Faz um ano que trabalho, duas vezes por semana, em uma pequena biblioteca em um dos bairros mais violentos do Recife.

No começo, as crianças, sempre o mesmo grupo, ficavam vidradas acompanhando as histórias – mesmo as mais danadas. Encontrei uma forma de lidar com a indisciplina: a cada encontro, quem se comportasse recebia uma estrelinha. A cada sete estrelas, a criança receberia um presente: um livro.

Mas o tempo foi passando e a rotina foi cansando as crianças. Então, elas deixaram de prestar atenção nas histórias e ficou difícil de trabalhar. Então tentei aplicar o que você me indicou aí acima. E teve uma coisa que deu certo em especial.

Hoje, terça-feira, 18 de novembro, cheguei com uma história na mente pronta pra ser contada. E mil outros planejamentos. Quando percebi que ninguém me ouvia, lembrei que eles gostavam de histórias de assombração. E comecei a contar. E todos calaram. Contei uma, duas, e depois pude finalmente contar aquilo que eu me propunha de início. Certamente não com a mesma destreza com que a história seria contada em outro contexto. Mas, valeu! Talvez eu tenha descoberto a fórmula. Graças a você.

A regra é perceber o que dizem as histórias que eles pedem pra repetir. (E não por acaso crianças que vivem em um ambiente de agressividade e violência buscam as histórias de assombração como forma de lidar com o medo). Um grande abraço e, mais uma vez, obrigada.

Enviada em: domingo, 1 de junho de 2008 15:57
Para: contadoresdehistorias
Assunto: CONTAÇAO DE HISTORIA

Oi boa tarde… Sou professora da Universidade Estadual de Goais, estou apaixonada pela arte de contar historia, apesar de nao ter feito nehum curso.gostaria de saber se vc poderia mim ajudar com indicaçao de algum material para oficinas onde desenvolveria essa habilidade tao encantadora q é a arte de contar historia,pois pretendo no final do ano realizar um espetaculo com essas alunos.Eu ja tenho o livro bobice e gostosuras e textos e pretextos.

Prezada Professora,

O fundamental você já tem: a paixão pela arte de contar. No entanto, o processo que torna um contador de histórias em um oficineiro requer maturação. Primeiro pense em formar seu repertório, contar muitas (muitas!) histórias e ir aos poucos construindo a sua oficina impregnada do seu jeito muito próprio de perceber a contação. Só assim você terá propriedade no seu discurso e se sentirá segura para dinamizar uma turma. O seu processo de contadora é que será o grande esteio da Oficina de Contadores de Histórias que só você saberá ministrar.

A minha indicação de leitura mais próxima do que você deseja é:

·          Contar Histórias: uma Arte sem Idade, MARIA BETTY COELHO SILVA Editora Ática. Livro de Didática e Metodologia de Ensino que ensina a planejar o que se quer transmitir antes de começar a contar uma história. O livro apresenta um plano de narrativa, com um roteiro que vai auxiliar todos os que desejam praticar essa arte.

Boa Leitura,


 

Data: 19/01/2008 17:20
De: marcosedu
IP: 201.64.12.54
Assunto: contar estórias
 

Prezado Prof. Laerte,
Venho acompanhando seu trabalho e compartilho a maior parte das suas reflexões sobre contar histórias porque também venho buscando uma forma simples de contar, mas aqui na minha cidade existe um outro grupo que conta histórias se vestindo de palhaço e sinto que as crianças ficam eletrizadas.
Enquanto eles se apresentam durante quase uma hora, não consigo prender a atenção por mais de quinze minutos.

Marcos,
Qual é realmente a intenção do seu trabalho? Prender a atenção das crianças? Deixá-las… Como é mesmo a palavra? Ah! Eletrizadas? Que palavrinha esquisita, né?
Fui ter uma consulta com Pai Aurélio e ele me disse que deve ser oriunda do verbo eletrizar que, segundo ele, quer dizer:
(eletro+izar) vtd e vpr 1 Carregar(-se) de eletricidade. Excitar(-se). vtd e vpr 4 Exaltar(-se), inflamar(-se) (as pessoas, os ânimos). vpr 5 Entusiasmar-se, exaltar-se com bebidas alcoólicas.
Junto com prender a atenção, a palavra eletrizar cria uma receita infalível de desvio da intenção primeira do contar histórias.
Hoje em dia, a expressão contar histórias se promiscuiu e, totalmente desonrada e corrompida, caiu na boca do povo.
Anda falada! Todo mundo quer abraçar esse filão e ganhar algum dindim dizendo-se capaz de ensinar técnicas, etecétera e tal.
Virou outra coisa que não estabelece laços e não compromete o narrador com seu repertório: efêmera como o perfume da moda ou o novo super-fantástico-mirabolante creme rejuvenescedor que vai deixar você com dez anos a menos.
A arte de contar histórias é intimista, requer proximidade, deve estar voltada para transformar vidas e educar de uma forma lúdica e lúcida.
É também um exercício de escuta e não deve partir nunca da premissa de que criança participante é criança “gritante”. Deixar a platéia eletrizada não tem nada a ver com sedução e uma hora de “anestesia” não chega nem aos pés de quinze minutos de sedução e concentração.
Para sair de uma sala de leitura, onde encontramos o melhor ambiente para uma sessão de histórias, a contação tem que levar com ela a intenção do contato olho no olho com a platéia e a sua dignidade para que não aceite a oferta do primeiro passante para um programinha legal.
Senão for assim, vai acabar contraindo as mazelas do consumismo e se tornando alguma coisa que outro alguém faz melhor que você.
Confie, reze uma novena para São Cascudo e descubra quais são os preservativos que deverá usar para não se infectar com essa doença.
Abraços,
Laerte Vargas
Gerente



Prezado Laerte,

Às vezes, quando começo a contar uma história as crianças dizem que querem outra e trazem um livro (geralmente com bastante ilustração) para que eu conte. Devo persistir na história que escolhi ou atender ao pedido deles?  Tiago, professor lotado em sala de leitura.

Tiago, o que acontece com a maioria das ilustrações dos livros infantis é que elas não apresentam uma outra leitura do conto e são extremamente redundantes. Isso acontece com crianças de uma determinada turma? Pode ser que essas crianças não estejam sendo devidamente estimuladas em sala de aula para o exercício do imaginário. Acho que você deve continuar impondo o desafio a elas e, claro, atender aos pedidos também. Um dedinho de prosa com a professora dessa turma também pode ser muito esclarecedor para você.

  

Tenho tentando implantar a Hora do Conto em sala de aula, mas a coordenadora pedagógica do colégio disse que é uma atividade inútil e que não leva a nada. O que eu faço?

A. (MT)

Ai! Dói mais que uma bofetada essa afirmação! Imagino a angústia que você deve estar sentindo… Acho que a nossa amiga (?) coordenadora está absolutamente equivocada e desinformada sobre a função pedagógica dos contos na formação da criança. A possibilidade de explorar o catártico no maravilhoso, favorecer o desenvolvimento da sensibilidade artística da criança e a promoção da leitura já são justificativas suficientes para a implantação da atividade. Mas sempre digo que dentro de sala de aula cada educador é soberano. Está em paz com o seu fazer? Então, feche a porta, abra o coração e deixe as histórias fluírem. Abraços,

  

Querido professor,

Fui contar Maria Angula em sala de aula e no dia seguinte uma mãe me procurou dizendo que o filho têve pesadelos a noite toda.

Celeste Maria

São Luis / Maranhão

Essa questão é mais complexa. Todos nós sabemos que as histórias de terror não criam temores nas crianças, elas apenas trazem à tona medos e inseguranças que estão muito bem arrumadinhos lá dentro. Acho que é um típico caso de criança assombrada por pais inseguros.

Procure perceber se, após essa experiência catártica, algo no compartamento dele se aprimorou e troque essas impressões com Mamãe Medrosa.

Beijos e confiança no seu trabalho,
 

 “Olá, Sr.Laerte.

Sou professora lotada em sala de leitura e enfrento algumas dificuldades na hora de escolher as histórias que vou contar para os freqüentadores da biblioteca. Alguns comentários seus me fizeram dar uma travada na escolha dos contos, pois o senhor fala que devemos evitar as histórias com finais que ressaltem a moral da história e também não me sinto à vontade para contar histórias de fantasmas. Por favor, fale disso…” Ivonete

Querida Ivonete,

A Fanny Abramovich diz sempre que a hora do conto não deve ter cara de aula. Os contos, sem dúvida, servem para que a criança crie seu próprio inventário moral e consiga discernir o certo do errado. A restrição que eu faço é quanto aos finais exageradamente moralizantes, pois eles podem vir a diluir o conto impondo uma única leitura e nossa intenção é abrir cada vez mais esse leque, não é? Vamos pegar carona na Chapeuzinho: é um conto única e exclusivamente sobre desobediência? Quantos outros temas são suscitados na trajetória dessa menina despreparada para pegar a estrada? É um conto que fala também de transgressão, enfrentamento, velhice, pedofilia, descoberta da sexualidade?  Então! Porque limitarmos e esvaziarmos o seu conteúdo tão vasto com uma única leitura? Na maioria das vezes, subestimamos os pequenos ouvintes e achamos que eles não são capazes de entender o conto senão tiverem uma “ajudazinha” do olhar adulto; mas quantas vezes esse olhar se mostra treinado para ler só o que quer?

Quanto aos causos de assombração, eles são remédios para resolverem o medo nas crianças: eles dão a segurança para elas vivenciarem todo o terror que eles apresentam sabendo que tudo se dá no plano do Era uma vez. Algumas professoras são perseguidas nas escolas por pais e coordenadores que acham que os contos de assombração deixam as crianças apavoradas. “Meu filho ouviu a história da alma penada e teve pesadelos à noite”. Mas não são os contos que criam esses medos, eles apenas trazem à tona inseguranças que estão muito bem arrumadinhas na cabeça das crianças. O conto, nesse caso, está cumprindo a missão terapêutica de trazer à baila os medos e exorcizá-los de vez.

É também muito comum crianças que, durante a infância, foram assombradas por pais inseguros se tornarem educadores que têm dificuldade em lidar com esse material.

Reflita nessas considerações e volte e me escrever.
 

 Data: 13/03/2007 17:20De: angelica IP: 201.66.12.54Assunto: Monografia

Olá Laerte… sou de Jacarezinho /PR estou no último ano do curso de pedagogia… quero fazer meu TCC sobre contação de historia na 3º Idade ou em asilos. Gostaria de saber se você pode me dar algumas idéias ou indicar algumas bibliografias. Fico grata !!

Olá, Angélica. Acho que só o contato com essas pessoas poderá dar a você alguma pista sobre como conduzir esse trabalho. Sempre que pensamos em “terceira idade” temos a sensação (errônea) de que devemos dar ênfase à memória afetiva, às lembranças; enfim, tudo relacionado a um tempo que se passou. Descobri que é mais importante falar e dinamizar uma vida que ainda está pulsante, com desejo e expectativa. Também acho importante trocar a palavra “asilo” por “instituição”. Procure se aproximar dos idosos que estão à sua volta na sua família, pois tenho certeza que será um excelente preâmbulo para o seu trabalho. Boa sorte,


22/11/2006 11:55De: JOANA SERVIN IP: 201.67.70.199Assunto: Informação

Olá, Professor Laerte, estou terminando o curso de pedagogia, já estou preocupada com o dia em que terei de enfrentar uma sala de aula, e gostaria de saber sobre as estratégias de contar histórias como forma de incentivo e promoção da leitura. O que é necessário para empregá-la? Esta idéia me ocorreu após perceber o como hoje não há interesse do aluno em fazer leituras. Agradeço, e aguardo retono.

Olá, Joana. Gosto sempre de enfatizar que não existe uma série de regras que, se seguida à risca, garanta o sucesso da nossa prática leitora. Quando afirmamos que nossos alunos não lêem, é fundamental que nos perguntemos por onde andam nossas leituras. A família não leitora delega à escola a função de tornar seus filhos leitores e, quando lá chegam, encontram professores pouco comprometidos com a leitura. O que eu quero dizer é que o prazer pela leitura não pode ser forjado, ele tem que brotar, transpirar e fazer seus olhos reluzirem ao dar voz à passagem de um conto que mobilizou você. Tem um livro que é meio datado, mas que eu ainda gosto muito: O imaginário no poder: as crianças e a literatura fantástica. Jacqueline Held. São Paulo: Summus, 1980. Boas leituras,
 

 

13/11/2006 11:16De: leandra borges alves da silva IP: 200.100.50.57Assunto: História de discriminação

Eu gostaria muito de receber histórias de discriminaçao em relaçao ao negro.

Posso dar uma sugestão? Trabalhe com as histórias tradicionais do povo africano: mitos africanos, a origem dos orixás… Acho mais rico do que buscar histórias que vitimizem os negros e fortaleça ainda mais as divergências. Faça uma busca em www.jangadabrasil.com.br

Boa sorte,


 

22/10/2006 11:00De: Elânia IP: 201.1.200.253Assunto: Dicas de leitura

Laerte fiz uma pesquisa no google e encontrei este site e lí as perguntas e suas respostas (uma a uma), estou maravilhada, e sinto que encontrei alguém especial que possa me ajudar… Trabalhei numa biblioteca comunitária de uma creche e participei de uma oficina para contadores de historias e simplismente me fascinei e hj desejo muuuuito saber mais e aperfeiçoar-me para seguir este caminho. Na época tinha 18 anos e hj tenho 22 (pretendo cursar Pedagogia), nas suas respostas a outras perguntas ja ví dicas de leitura e gostaria de saber se vc pode me indicar mais algumas…. Aguardo resposta e estou certa que darásUm enorme afago no coração

Elânia

Querida Elânia,

Mensagens como a sua é que tocam o coração da gente como um afago. Nela, as palavras saltam de contentamento e emoção e a gente também sente uma alegria muito grande em estar aqui o tempo todo informando e conduzindo o trabalho de tantas pessoas espalhadas pelo Brasil e pelos países de língua portuguesa. Acho indispensável para qualquer contador de histórias a aquisição do Contos Tradicionais do Brasil do Câmara Cascudo (Ed.Global) e, se morar no Rio, venha conhecer a Spaço dos Contos (Tel: 21 -2262 0035 e 2215 6301 ): mantenho aqui um Centro de Formação de Contadores de Histórias e Agentes de Leitura com cursos e oficinas durante todo o ano.

Abraços calorosos,

Laerte Vargas


Caro Laerte,
Sou apaixonada por contação de historia e participei de uma oficina onde nos deram um texto seu para refletirmos. Gostei do que li e resolvi procurá-lo no google para saber mais sobre o seu trabalho. Já fui educadora, mas agora só conto histórias para o meu filho de dois anos de idade. Pretendo desenvolver um trabalho voluntário em creches ou orfanatos de contação de historia mais ainda não sei bem por onde começar. Gostaria que me ajudasse, principalmente me indicando livros teóricos que falem sobre o assunto e também cursos EAD, uma vez que moro na Bahia e não posso participar de suas oficinas.
Obrigada.

Débora

03/12/2010 às 11:14 PM

Acho que a gente deve começar contando, sabe, Débora?!
Pelo menos, foi assim que eu comecei.
Quando fiz uma das primeiras oficinas de contadores de histórias ministradas no Brasil, sai dela instigado a contar, contar, contar…
Depois disso, é que fui elaborando repertório, me preocupando mais com as questões que envolvem cada conto e ficando com a pulga atrás da orelha acerca do universo simbólico dos contos de fada.
A teoria, muitas vezes, pode transformar esse movimento que é instintivo e legítimo em outra coisa excessivamente elaborada e extremamente racional, dois elementos não tão importantes na contação de histórias.
O mais fundamental é que essas histórias às quais você dá voz estejam mesmo internalizadas via coração e que tenham, antes de tudo, uma representação muito forte para você.
Um repertório pedagogicamente correto, senão ecoar no coração do contador, soará sem colorido e monocórdio.
Uma preocupação básica quanto à faixa etária, quanto ao tempo da sessão e solte a língua.
À medida que o bichinho do narrar for tomando de você, a pesquisa com o repertório surgirá, a necessidade de formar um núcleo de trabalho também e o novelo vai sendo estendido.
Acho que você pode ler o Literatura Infantil, Gostosuras e Bobices da queridona Fanny Abramovich, Editora Scipione. Ele já vai dar pano pra manga.
Depois, se quiser um dedinho de prosa sobre ele, volte aqui ou me passe um e-mail.
Adoro falar disso.
Abraços calorosos e que São Cascudo a abençoe.

Laerte Vargas


——-Mensagem original——-
De: l silva
Data: 25/04/2011 21:59:01
Assunto: Boa Noite.
Boa Noite.
Sou aluna do curso de Biblioteconomia, e tenho que elaborar uma oficina para um grupo de mulheres que sofrem violência doméstica (situação de vulnerabilidade) com idade entre 23 a 40 anos.
Peço uma ajuda em relação a idéias que eu possa aplicar nessa oficina, pois, não tenho experiência nessa área, pensei em começar contando uma história e depois elas formam um circulo onde elas debatem as histórias e aproveitam para refletir sobre sua própria história.
Aguardo resposta
Grata

Prezada L,

Não existe uma fórmula pré-estabelecida ou um modelo pronto de oficina para ser aplicado.
Sei que você me solicitou a sugestão de idéias, mas fica muito difícil sem conhecer o grupo. Acho muito delicado você chegar com alguma coisa muito amarrada, a não ser que você tenha um fio condutor muito claro e venha trabalhando esse tema há bastante tempo.
Sua idéia é interessante, mas acho que é mais para um círculo de leitura do que uma oficina.
Procure trabalhar alguma dinâmica de grupo em que elas sorteiem palavras-chave criando enredos fictícios (essa é a melhor forma delas se aproximarem da própria verdade).
Tenha muita delicadeza em trabalhar com esse tema, pois elas próprias não têm a dimensão do quanto são vítimas nessa situação.
Lembre-se: não é grupo terapêutico!!!
Boa sorte.
Não se esqueça de me contar como foi.
Abraços,
Laerte Vargas
Contador de Histórias e Facilitador de Oficinas

Enviado em 20/06/2011
as 17:42

Boa Tarde, Professor
Estou tendo dificuldades com meu filho de 3 anos, ele
tem batido com frequencia nos coleguinhas de sala, jé esta sendo
excluido por eles por ser agressivo. Algumas atitudes foram tomadas
com muito carinho, conversas e uma postura firme por minha parte e do
pai com a ajuda dos professores, ele gosta muito de historinhas, fiz
algumas pesquisas de livros na internet mas nao encontrei nada.
Gostaria de algumas sugestoes de livrinhos para ajudar meu filho
neste momento que falem sobre este tema.
Agradeco desde já sua
colaboracao.

Enviado em 20/06/2011
as 20:33
| Em resposta a Mariana.

Muito bacana esse caminho que você está buscando, Mariana. O dos contos. Uma boa história, muitas vezes, vale mais que um papo cabeça.
Primeiro é preciso entender o que seu filho está tentando sinalizar com essa agressividade, pois alguma mensagem velada existe nessas atitudes: necessidade de auto afirmação, talvez repetição de algum modelo que veja em desenhos ou à sua volta (às vezes, até com primos), vontade de chamar atenção sobre si… Enfim, existe um recado que precisa ser “lido”, pois senão todas as outras estratégias serão nulas.
Que bom que ele goste de histórias, não é?! Você tem tido tempo para contá-las para ele? Aquele tempo gostoso antes de dormir que traz segurança para a criança e faz com que ela se sinta aconchegada?
Não podemos deixar que o nosso dia-a-dia nos sufoque de tal forma que não sobre tempo nenhum para dedicarmos atenção aos nossos filhotes, não é mesmo?!
Quanto às histórias para essa faixa etária… Aí é que tropeçamos em alguma dificuldade: Você deverá buscar histórias com enredo bem simples, pois é uma fase em que a criança ainda não tem muito poder de abstração.
Melhor seria trabalhar mais com as parlendas: mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo, mata piolho e histórias com trama bem linear envolvendo objetos do cotidiano do seu filho.
Talvez aqui e ali falar de um menino truculento que quebra os brinquedos, os brinquedos ficam tristes, mas não dar muita ênfase à questão da agressividade para não parecer que o universo dos contos gira só em torno disso, não fazer crescer demais uma questão que logo logo se resolverá  e nunca dar um tom maniqueísta às histórias.
Se for improvisar os contos, preste bastante atenção nas estruturas, pois se seu filho pedir pra repetir é porque você acertou na fórmula e ele está querendo mais uma dose do remédio. Aí é contar mais uma, duas, três, quatro, quantas vezes for preciso…
Boa sorte.

Oi,tudo bem?Espero que sim! Sabem sou voluntaria em minha amada cidade em uma instituiçao que atendem 200 crianças por dia.Sonho com uma sociedade melhor para daqui alguns anos mas meus conhecimentos sao poucos portanto peço-lhes ajuda paea dar continuidade em meu trabalho nao tenho recursos para pagar cursos mas tenho muita força de vontade.Espero um contato de voces para me enxerem de espernça para que eu possa continuar com minha jornada de contaçao de historias .Ate breve beijos Sa

Querida Sabrina,
As dicas à distância servem apenas como um fio condutor para quem já está trilhando um caminho e pode, com as informações enxutas que disponibilizo aqui, somar à sua prática mais conhecimentos e recursos.                           A arte de contar histórias não permite um curso à distância, ela é uma linguagem que requer proximidade e não envolve um conjunto de regras garantam o sucesso da atividade. Desconfie que quem oferecer esse “produto”, pois é isso que terá se tornado um curso que visa a ensinar a contar histórias à distância. Uma coisa é prestar uma assessoria a quem já está cumprindo uma trajetória, outra é “vender” um curso de contar histórias. A arte de contar histórias virou um filão que todo mundo quer fazer, vender, trocar, transformar em ONG… Aconselho a você a se aproximar de grupos na sua cidade. Qual é? Me fale! Talvez eu possa sinalizar núcleos de contadores de histórias… E, dentro do possível, voltar aos estudos para aprimorar seus conhecimentos e sempre poder manter acesa essa chama linda que faz você brilhar quando fala em contar e ouvir histórias. São Cascudo vai te abençoar e te guiar na sua trajetória, tenho certeza.

Obs: copiado e colado de um e-mail, leia as perguntas e respostas no sentido inverso.
Ok, Roberta.
Já deu pra aclarar. Sempre é muito difícil falar à distância, pois pode ficar parecendo que estou estabelecendo regras ou dando receita de bolo e não é por aí.
Tem uma máxima popular que diz que “de uma boa história ninguém escapa”.
Isso já nos dá um bom início de conversa.
Talvez as histórias olhadas assim dentro da frieza desses livros técnicos estejam lhe dando uma sensação equivocada, procure tirá-las dos livros, escrevê-las de próprio punho, respirar, dentro do possível, a ambiência onde elas acontecem já que você mora no estado em que elas se originam, carregá-las pra cima e pra baixo, começar contando para os entes queridos, pintar com cores diferentes as passagens…
Enfim, crie estímulos para que esses contos se tornem atraentes e vocês fiquem enamorados um do outro.
Se por acaso não rolar uma paixão, tenho certeza que uma simpatia muito grande vai acontecer.
Que São Cascudo a abençoe.
Laerte Vargas
——-Mensagem original——-
De: R
Data: 22/07/2011 17:21:55
Assunto: Re: Res: Contar historia regionais
Boa Tarde Laerte!
Muito obrigada por me responder, bom sou estudante de historia e pretendo seguir a profissão de professor, tenho alguma experiencia pois ja trabalhei com crianças desta faixa etaria, mas achei que o trabalho que desenvolvi deixou muito a desejar, pois apenas repeti as historias que as crianças queriam ouvir, mudando apenas o tom de voz para cada personagem não coloquei nada mim nessas contações, sobre ser obrigada a desenvolver este trabalho colocando deste jeito é um pouco pesado, mas isso faz parte do meu serviço ter que desempenhar esta tarefa, mas não me sinto obrigada e sim desafiada a dar o meu melhor, e buscar me apeiçoar por isso entrei em contato com você, pois achei o site muito interessante e instigante, bom sobre o tema realmente são sobre a região onde moramos ou seja Mato Grosso, acho maçante pelo fato de sermos obrigados a ler apenas livros e materias que professores e alunos universitarios tem acesso, e entendem não são voltados a criança por isso minha duvida como faço para fazer uma contação com material deste nivel, teve momentos quer tentei fugir deste nivel mas fui precionada a voltar, pois infelizmente tem toda um burocracia pra a contação acontecer e não podemos fugir muito da bibliografia, quanto ao fatao de ler ou contar prefiro contar pois adoro o contato olho no olho pois so assim consigo verificar se tenho que tentra outra abordagem ou se a que estou usando esta agradando.
Bom espero que você possa me dar uma luz pois estou ficando meio desesperada pois quero agradar o meu publico alvo e acima de tudo mostrar a eles que existem maneiras contagiantes de se aprender.
Desculpe pelo texto um pouco extenso
Roberta— Em sex, 22/7/11, Contadores de Histórias <contadoresdehistorias@uol.com.br> escreveu:
De: Contadores de Histórias <contadoresdehistorias@uol.com.br>
Assunto: Res: Contar historia regionais
Para: R
Data: Sexta-feira, 22 de Julho de 2011, 19:26
Bom, pra começo de conversa, essa faixa etária é ótima pra ouvir histórias.
Algumas questões aí me deixaram inquieto:
  • qual o critério que fez você ser escolhida para desenvolver o trabalho? Tem aptidão? Já possui alguma prática ou se sente instigada a descobrir as etapas do trabalho do contador de histórias?
  • você está sendo obrigada a desenvolver essa atividade?
  • você me falou que o fio condutor do trabalho são as histórias regionais e logo depois diz o tema é maçante?! Talvez a fonte de pesquisa é que esteja fornecendo um material pouco sedutor, pois elas são um caudal infindável e riquíssimo de acervo para o contador de histórias.
  • E, finalmente, a última grande dúvida: você vai ler ou contar?
Quando lemos, o contato olho no olho se perde e, aí sim, essa dispersão que você tanto teme, acontece. Quando damos voz a um conto sem o recurso do livro e estabelecemos uma relação de troca com os ouvintes, essa grande magia da contação se torna contagiante e é capaz de manter nosso público em suspensão até “entrou por uma perna de pato, saiu por uma perna de pinto, quem quiser que conte cinco”.
Veja se consegue abrir umas brechas na rigidez dessa proposta para que você possa respirar.
São Cascudo a abençoe
——-Mensagem original——-
De: R
Data: 21/07/2011 17:29:05
Assunto: Contar historia regionais
Boa tarde Laerte!
Trabalho em um serviço que irá fazer um trabalho de contação de historia para crianças que ira falar sobre temas relacionados a historia regional, eu irei trabalhar com a faixa etaria de 08 a12 anos e não sei como fazer para este grupo de crianças prestar atenção ou se interessar pelo tema pois os temas escolhidos são meiois massantes e os livros que devem ser lidos são mais tecnicos sem interesse para as crianças deta idade me ajude por favor
Att.
Roberta
Olá Prof.
Laerte!

Meu nome é Janaína e estou cursando o ultimo ano de pedagogia.

Amo o que faço, trabalho em uma escola com crianças de 2 a 10 anos.

Me descobri uma boa narradora de histórias nos nossos seminários da
faculdade, mas depois de uma apresentação que fizemos minha professora de
literatura infantil me disse para me ver como uma excelete contadora de
histórias e que eu me aperfeiçoasse nisso, hoje conto histórias toda sexta feira
aos alunos de 2 a 6 anos no meu trabalho, sempre escolho o personagem
principal da história e me caracterizo como tal, tem sido um sucesso
extremamente prazeroso, principalmente porque os maiores ( até 10 anos) ficam
encantados ao me verem pelos corredores do colégio caracterizada.

Adorei seu blog e credito que tenha sido um achado essas dias, principalmente
no que diz respeito a roupa, estou querendo uma roupa para qnd não quiser me
vestir do personagem e já ia errar na confecção pois imaginei algo muito
colorido e aqui aprendi que meu carro chefe é minha voz e meu dom de contar
histórias pois elas é quem devem brilhar.

Obrigada e parabéns pelo blog.

  -Tia Jana

Enviado em 19/09/2011
as 11:40

-Tia Jana
.

Janaína,

A força do seu relato, o calor que você coloca nas palavras quando fala da arte de contar histórias já sinalizam que o bichinho te pegou.

Que bom que você esteja atenta aos meus pontos de vista, pois eu acredito que nós, narradores, temos hoje em dia desafios bem expressivos frente a toda a tecnologia que está disponível para nossas crianças e adolescentes, principalmente.
Temos games que mostram personagens que se metamorfoseiam num piscar de olhos, cenários que se sobrepõem num clique do teclado… Enfim, um caudal infindável de recursos que são insuperáveis.

Isso acaba gerando uma preguiça “imaginativa” que faz com que a criança queira tudo muito pronto e no nível das grandes produções.

Contar histórias é fazer sonhar o inimaginável, é ter dentro de uma roda vinte princesas imaginadas de um jeito próprio pela imaginação das vinte crianças participantes da sessão de histórias, todas com uma cara e uma identidade impregnada do universo único daquele indivíduo. Dou muita ênfase à simplicidade e ausência de aparatos cênicos para que esse exercício da imaginação volte a acontecer e o contador se sinta exigido a suprir esses elementos com seus recursos corporais e vocais.
A “espetacularização” da contação de histórias é um grande equívoco que distancia a arte de contar histórias da sala de aula.
Outro desafio é o contato. O olho no olho que anda tão escamoteado hoje em dia. Quando vestimos um personagem, deixamos um pouco de sermos nós próprios e perdemos a possibilidade do resgate da figura do contador de histórias dos tempos idos que não usava nenhum outro recurso que não seu repertório oral.
Quanto à vestimenta, é isso mesmo: quem tem que brilhar é a história, uma camisa com mangas amplas para te dar liberdade de movimentos, uma calça com
iguais características e São Cascudo na cabeça.
Abraços calorosos e obrigado pelo carinho das suas palavras,


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OFICINA CONTADORES DE HISTÓRIAS

 

Contar Histórias: uma linguagem de afeto.
O processo de formação de um leitor começa bem antes dele aprender a decodificar a leitura a partir do texto escrito. O início desse caminho e a sedução para o mesmo se dão ainda no berço, através dos acalantos e parlendas e, claro, da ambiência de afeto que este momento propicia.
A partir das cantigas de ninar, a criança vai criando ferramentas para setornar leitor e identificar a espinha dorsal de uma narrativa.
No entanto, é errada a idéia que comumente se tem de que contar histórias é privilégio dos pequenos. O ofício de contador tem me mostrado que contar e ouvir histórias é uma arte sem idade, o que confirma a máxima popular que diz que “de uma boa história ninguém escapa”.
As histórias não só ensinam como também nos convidam a olhar para dentro, pois apresentam os percalços e deleites que a vida nos reserva. Algumas linhas de psicologia, inclusive, defendem a idéia de que crianças que ouvem histórias na infância se tornam adultos mais seguros e profissionais bem sucedidos. Isso porque o texto ouvido na infância fica ecoando em nossa memória afetiva e serve de alicerce para o processo de individuação; internalizamos a idéia de que a vida não é exclusivamente um mar de rosas e que temos muitos dragões e bruxas a vencer nesta trajetória de crescimento.
Mas, afinal, o que conta o conto?
As histórias populares mostram quase sempre, num primeiro momento, um personagem sendo compelido a um processo de transformação: ele é expulso de casa ou tem que fugir; enfim, sair do âmbito familiar para cumprir uma tarefa essencial para sua sobrevivência ou de um ente querido. Muitos contos iniciam mostrando a morte da mãe “perfeita demais” para que possa dar lugar a um indivíduo único e inimitável. A partir disso, ele se confrontará com impasses morais, terá que discernir o bem do mal, atravessar florestas escuras ( seus medos ) para fazer jus ao “ser feliz”.
Na verdade, são questões que não fazem parte unicamente do repertório infantil e, sim, norteadores para uma vida com mais qualidade e expressão.
As histórias nos acordam dos nossos encantamentos, abrem espaço para outros e se tornam fiéis parceiras em nossos processos de transformação.
“Mas, já temos tudo pronto… A televisão não é o mais prático contador de histórias?”, perguntarão alguns.
Sem dúvida, a televisão hoje em dia é uma janela para o mundo. Mas, quanta poluição entra quando resolvemos abrir a janela de nossa casa?
Simplesmente apertamos um botão, selecionamos um canal e não nos preocupamos (e nem temos tempo) para filtrar o que é servido às nossas crianças… E quanto da capacidade imaginativa cerceamos quando damos as
imagens já prontas e num ritmo industrial que nunca conseguirá suprir a afetividade que o contar histórias proporciona! Cada ouvinte imaginará a história do seu jeito, ele mesmo será o pintor desta tela e elegerá as cores que usará.
E, o melhor de tudo, terá os olhos do contador como porto seguro para sua viagem.
Tudo isso faz do contar histórias uma linguagem única e que pode ser desenvolvida por qualquer um que tenha no coração um ninho aconchegante para recebê-las e compartilhá-las.

OFICINA CONTADORES DE HISTÓRIAS – Módulo I    Pré-Requisito:  Gostar de ouvir histórias.Ministrante: Laerte Vargas

O ator e contador de histórias Laerte Vargas, desde l994, ministra oficinas de contadores de histórias e dinamização de acervo nos mais expressivos programas de leitura do país tendo participado como especialista no Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura da Fundação Biblioteca Nacional), Leia Brasil (Petrobrás), Paixão de Ler e Bienais do Livro, onde fundou grupos (dentre eles, o Confabulando – contadores de histórias) e implantou o projeto Casa Viva em Furnas. Atualmente, coordena o projeto As Fiandeiras – contadoras de histórias (grupo que investiga o universo feminino desenvolvendo sessões temáticas) e o Latão de Histórias (Grupo de contadores de histórias da Comunidade do Morro Dona Marta/RJ) e presta assessoria a eventos e seminários de leitura.

Módulo Um: Sensibilização para a arte de contar histórias:

A oficina se propõe a sensibilizar a todos da importância da arte de contar histórias na formação do indivíduo, na busca de uma maior expressão artística e verbal e como recurso para a dinamização da leitura e de grupos em instituições.

Programa:

• Apresentação,

• Contar histórias, uma arte sem idade,

• Memória Afetiva: nossas histórias e “causos”,

• Charles Perrault e Irmãos Grimm: breve panorama da trajetória dos contos populares,

• O conto popular: sua importância na formação do indivíduo,

• O universo simbólico dos contos de fada,

• Contando histórias populares e contos autorais,

• A co-autoria do contador de histórias no conto popular,

• Dinâmicas de produção literária a partir do conto popular,

• A “contação” de histórias como ferramenta para a sensibilização para grupos,

• A voz e o corpo: conscientização corporal e vocal,

• A escolha de uma história: critérios para a seleção de histórias,

• Contação.

Carga Horária: 16 horas.

Público Alvo: Educadores, arte educadores, profissionais de RH, animadores culturais, psicólogos, atores, bibliotecários, agentes de leitura, pais, avós e demais interessados na arte de contar histórias.

 
Spaço dos Contos:
Avenida Rio Branco, 156 sala 1406 
Largo da Carioca – RJ – 20040 003
Informações: (21) 2262 0035 e  9432 0333
 contadoresdehistorias@uol.com.br
 
 
 
 
 

 

 

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